domingo, 21 de junho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Eu e o Augusto, o meu primo

Tinha eu talvez uns 7 anos quando aconteceu uma história que hoje me dá vontade de rir. Morava em Lisboa e era hábito eu ir à padaria ao fim da tarde. Padaria essa que ficava distante de casa e no meu pequeno passo talvez demorasse cerca de meia hora a lá chegar. Naquele tal dia dos factos, além do pão, fui incumbida de trazer o meu primo Augusto com cerca de três anos de idade, da creche que ficava mesmo em frente à padaria. Apenas me foi recomendado que lhe desse sempre a mão.
Acontece que à vinda tinha que passar no Largo da Igreja do Lumiar, ou de São João Baptista e estando a D. Maria, funcionária da Igreja à porta, ela que também era governanta do Prior, falou comigo no sentido de a ajudar a limpar o pó dos bancos da igreja. Eu gostava dessa tarefa e não em importei de ajudar. Sentei o Augusto num dos bancos, pendurei o saco do pão no mesmo banco e lá comecei com a limpeza dos mesmos. Eu num dos lados e ela noutro. Perdemos a noção do tempo e sem que déssemos conta, as nossas mães, aflitas, percorreram tudo o que era caminho provável por onde devíamos passar, nunca lhe ocorrendo que podíamos estar dentro da Igreja. E o tempo a passar e de nós nada. Até que numa última hipótese lembraram-se de atravessar o Largo da Igreja, tendo já acordado que depois desta tentativa para nos encontrarem, iriam dirigir-se à Esquadra da PSP que existia na Rua do Lumiar, a fim de participarem o nosso desaparecimento. Quando estão a passar em frente à dita Igreja, estava a tal D. Maria à porta e vendo-as muito aflitas disse-lhes que nós estávamos lá dentro entretidos.
Escusado será dizer, que as nossas mães íam tendo um ataque cardíaco com esta situação de aflição e desataram a insultar a D. Maria, por ter sido irresponsável e que tinha tido obrigação como pessoa adulta de ter o bom senso de nos mandar para casa o mais rápido possível. Estiveram muitos anos zangadas com ela mas com o passar do tempo reataram as falas. Este caso passou-se quase há cinquenta anos e como tudo era ingénuo. Até a D. Maria, que podia ser nossa avó, levou essa ingenuidade ao limite.
Muitos anos depois, sempre que passava por ela, lá me lembrava da limpeza do pó aos bancos da Igreja e ria-me para mim. Hoje que já sou avó percebo a aflição que as nossas mães sentiram, pensando que nos tinham raptado.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
O Senhor Dias, artista de pintura popular, Moita do Ribatejo
Encontrei o Senhor Dias quando se dirigia para o seu atelier de pintura popular, trocámos umas impressões e aproveitei para lhe perguntar o porquê de pinturas com flores nos barcos, aquilo que me disse é que era um hábito muito antigo e não sabia as origens dessas pinturas. De qualquer modo, além de barcos e painéis também as pinturas desta casa são da sua autoria. Muito simpático o Senhor A.Dias.
Barco típico do Rio Tejo, pintura
Encontrei este barco em fase de pinturas mas o artista não estava presente só que mesmo ali ao lado estavam os alguns utensílios usados nesta arte. Dois simples pauzinhos....
Agora já sei que este catraio nem é nem mais nem menos do que o meu preferido, Princesa do Tejo, talvez porque foi o primeiro que conheci e me chamou a atenção pelo seu bom aspecto. Sem desprimor para todos os outros que também são lindos...
domingo, 17 de maio de 2009
Zona Ribeirinha da Moita, Figueira
Quem passeia na zona ribeirinha da Moita perto do Centro Náutico encontra, rodeada de relva, mesmo à beira do Tejo, esta mini figueira, a produzir figos e que segundo me disseram tem a bonita idade de 300 anos, tendo já sido retirada quando foram realizadas obras neste local e voltou a ser colocada no mesmo sítio, após as mesmas. É tão bem cuidada que hoje aproximei-me um pouco mais para a ver de perto e descobri que tem figos. É uma gracinha esta árvore centenária, forte, baixinha e produtiva.
sábado, 16 de maio de 2009
Moínhos da Atalaia, Lourinhã
Neste local passámos bons momentos há muitos anos e foi também neste moínho que o meu marido, que teria talvez uns oito anos, resolveu empoleirar-se na ponta de uma das velas, deu impulso e subiu agarrado como pôde até meio e acabou por voltar para trás, não dando a volta completa. Quando chegou cá abaixo tinha uma comissão de boas vindas à espera, os pais, para lhe darem o correctivo. Tirando este episódio, foram muitos os momentos agradáveis que aqui passámos, na companhia dos proprietários, compadres dos meus sogros, e do filho que é hoje o dono deste moínho, o Napoleão.
Estivémos aqui mais ou menos há quinze dias, recordando. Hoje já tem nome nesta rua, encontrámos o velhinho curral do porco e sinais de restauro num dos três moínhos deste local que em tempos pertenceram a pessoas da mesma família, por sua vez, moleiros.
Deste ponto se avistam as Ilhas Berlengas, umas vezes com mais nitidez outras nem tanto mas normalmente avista-se bem.
Aqui adorava-se polvo que estava ali tão perto, na Praia do Porto de Barcas. Era só apetecer para o lanche e ía-se apanhar alguns, que se cozinhavam logo de seguida e eram sempre macios.
Ao domingo, era frequente, que a refeição fosse, cozido à portuguesa, com couves da horta, porco e chouriço da última matança e do talho, um pouco de carne de vaca.
Estas memórias, do que presenciámos muitas vezes, deviam ser transcritas para livro, sobre usos e costumes desta terra.
domingo, 26 de abril de 2009
sábado, 25 de abril de 2009
A Vida de Frei Nuno Álvares Pereira, O Santo Condestável
520 anos depois da morte, Nuno Álvares Pereira descansa na Igreja do Santo Condestável
Os restos mortais de D. Nuno Álvares Pereira foram trasladados por oito vezes, encontrando repouso, ao fim de 520 anos, na Igreja do Santo Condestável em Lisboa, onde se encontram desde 1951.
Cumprindo-se os seus desejos, frei Nuno de Santa Maria, o nome religioso que D. Nuno Álvares Pereira adoptou ao entrar na Ordem dos Carmelitas Calçados, foi colocado numa sepultura rasa do Convento do Carmo quando ali morreu a 01 de Abril de 1431, levando até ao fim a humildade que caracterizou a última parte da sua vida.
Quase cem anos depois registou-se a primeira trasladação, refere um trabalho do professor Ernesto Castro Leal, da Faculdade de Letras de Lisboa: em 1522, na presença de D. João III, o cadáver foi exumado e, depois de retirados alguns ossos para um relicário ainda hoje guardado pela Ordem dos Carmelitas, foi ali erguido um mausoléu de alabastro onde foram depositados os restos mortais.
Em 1548 ocorreu a segunda trasladação, com a deslocação do mausoléu, no interior da igreja, para a zona do Presbitério, junto ao lado do Evangelho, com o objectivo de dar mais relevo ao túmulo.
Ali se manteve até ao terramoto de 01 de Novembro de 1755, que destruiu o convento, deixando-o em ruínas, e o mausoléu.
A 21 de Março de 1768, os ossos de frei Nuno de Santa Maria, que estavam guardados numa caixa de pau de Angelim, foram colocados num mausoléu de madeira a imitar o anterior, situado na zona do templo apenas utilizada pelos religiosos carmelitas.
Na mesma altura foi lavrado um auto, catalogando e descrevendo as ossadas encontradas.
A quarta trasladação registou-se a 14 de Março de 1836 e envolveu a saída dos restos mortais e do túmulo do convento do Carmo para a igreja de São Vicente de Fora, onde, desde D. João IV, a Casa de Bragança tinha um segundo Panteão (o primeiro situava-se no palácio ducal de Vila Viçosa).
Recorde-se que D. Nuno Álvares Pereira está na origem da Casa de Bragança, pois a sua filha Beatriz casou com D. Afonso, bastardo de D. João I, primeiro duque de Bragança.
Transportado em coche real, o túmulo ficou colocado no vão da capela lateral do Cruzeiro da Igreja da parte do Evangelho.
As duas trasladações seguintes foram no interior da igreja de São Vicente de Fora, contígua à actual sede do Patriarcado de Lisboa: em 09 de Março de 1895 o túmulo foi transferido para a capela particular do Paço Patriarcal, no rés-do-chão do edifício, e em Agosto de 1912 voltou ao piso superior, junto ao Panteão da Casa de Bragança.
A 05 de Março de 1906 concluiu-se o exame e identificação das ossadas, comparando o conteúdo do túmulo com o auto elaborado em 1768, o que veio a ser repetido em Fevereiro de 1918, na sequência da beatificação de frei Nuno de Santa Maria, em Janeiro desse ano.
Para 02 de Março de 1918 esteve prevista nova trasladação, desta vez para o Mosteiro dos Jerónimos, que veio a ser inviabilizada pela feroz oposição dos integralistas de A Monarquia, que se revoltaram contra a pretendida intenção de fazer transportar a urna num armão da Artilharia.
Depois de acesa discussão sobre o melhor local para depositar os restos mortais de D. Nuno Álvares Pereira (o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, chegou a ser alvitrado), a urna foi trasladada, de carro, para a Capela da Ordem Terceira do Carmo, onde permaneceu até 1951 em más condições de segurança.
A 14 de Agosto de 1951, 566 anos depois da batalha de Aljubarrota, foi sagrada a nova Igreja do Santo Condestável, em Campo de Ourique, para onde foram trasladados nesse mesmo dia, em grande cortejo, os restos mortais do beato Nuno de Santa Maria, que ali repousam numa urna de mármore negro.
Os restos mortais de D. Nuno Álvares Pereira foram trasladados por oito vezes, encontrando repouso, ao fim de 520 anos, na Igreja do Santo Condestável em Lisboa, onde se encontram desde 1951.
Cumprindo-se os seus desejos, frei Nuno de Santa Maria, o nome religioso que D. Nuno Álvares Pereira adoptou ao entrar na Ordem dos Carmelitas Calçados, foi colocado numa sepultura rasa do Convento do Carmo quando ali morreu a 01 de Abril de 1431, levando até ao fim a humildade que caracterizou a última parte da sua vida.
Quase cem anos depois registou-se a primeira trasladação, refere um trabalho do professor Ernesto Castro Leal, da Faculdade de Letras de Lisboa: em 1522, na presença de D. João III, o cadáver foi exumado e, depois de retirados alguns ossos para um relicário ainda hoje guardado pela Ordem dos Carmelitas, foi ali erguido um mausoléu de alabastro onde foram depositados os restos mortais.
Em 1548 ocorreu a segunda trasladação, com a deslocação do mausoléu, no interior da igreja, para a zona do Presbitério, junto ao lado do Evangelho, com o objectivo de dar mais relevo ao túmulo.
Ali se manteve até ao terramoto de 01 de Novembro de 1755, que destruiu o convento, deixando-o em ruínas, e o mausoléu.
A 21 de Março de 1768, os ossos de frei Nuno de Santa Maria, que estavam guardados numa caixa de pau de Angelim, foram colocados num mausoléu de madeira a imitar o anterior, situado na zona do templo apenas utilizada pelos religiosos carmelitas.
Na mesma altura foi lavrado um auto, catalogando e descrevendo as ossadas encontradas.
A quarta trasladação registou-se a 14 de Março de 1836 e envolveu a saída dos restos mortais e do túmulo do convento do Carmo para a igreja de São Vicente de Fora, onde, desde D. João IV, a Casa de Bragança tinha um segundo Panteão (o primeiro situava-se no palácio ducal de Vila Viçosa).
Recorde-se que D. Nuno Álvares Pereira está na origem da Casa de Bragança, pois a sua filha Beatriz casou com D. Afonso, bastardo de D. João I, primeiro duque de Bragança.
Transportado em coche real, o túmulo ficou colocado no vão da capela lateral do Cruzeiro da Igreja da parte do Evangelho.
As duas trasladações seguintes foram no interior da igreja de São Vicente de Fora, contígua à actual sede do Patriarcado de Lisboa: em 09 de Março de 1895 o túmulo foi transferido para a capela particular do Paço Patriarcal, no rés-do-chão do edifício, e em Agosto de 1912 voltou ao piso superior, junto ao Panteão da Casa de Bragança.
A 05 de Março de 1906 concluiu-se o exame e identificação das ossadas, comparando o conteúdo do túmulo com o auto elaborado em 1768, o que veio a ser repetido em Fevereiro de 1918, na sequência da beatificação de frei Nuno de Santa Maria, em Janeiro desse ano.
Para 02 de Março de 1918 esteve prevista nova trasladação, desta vez para o Mosteiro dos Jerónimos, que veio a ser inviabilizada pela feroz oposição dos integralistas de A Monarquia, que se revoltaram contra a pretendida intenção de fazer transportar a urna num armão da Artilharia.
Depois de acesa discussão sobre o melhor local para depositar os restos mortais de D. Nuno Álvares Pereira (o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, chegou a ser alvitrado), a urna foi trasladada, de carro, para a Capela da Ordem Terceira do Carmo, onde permaneceu até 1951 em más condições de segurança.
A 14 de Agosto de 1951, 566 anos depois da batalha de Aljubarrota, foi sagrada a nova Igreja do Santo Condestável, em Campo de Ourique, para onde foram trasladados nesse mesmo dia, em grande cortejo, os restos mortais do beato Nuno de Santa Maria, que ali repousam numa urna de mármore negro.
Informação retirada de Destak.
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